Crónicas da mula do presidente de câmara I

Ser mula de um presidente de câmara não é nada fácil. Principalmente num município onde não há estradas alcatroadas nem carros. Tenho que andar sempre do edifício da câmara até casa do presidente. Digamos que de um sítio ao outro faço quinhentos passos com cada par de pernas. Isso por si só não seria nada. Mas vivo num município onde os enchidos abundam e as pessoas gostam bastante do presidente, porque também tem um talho, que faz promoções antes das eleições.

Isto para dizer que ele é bastante obeso.

O pior nem é isso. Se fosse só este facto estaria bem. Fechava os meus olhos de mula, sacudia as moscas com o rabo e lá ia eu o mais depressa possível. Mas não é assim que sucede. O que sucede é que ele faz questão de parar sempre que vê uma pessoa na rua. E põem-se na conversa. Cinco, dez minutos… para mais! E nunca se lembra de descer do meu lombo.

Outro problema é as moscas daquela terra. São tão chatas e cuscas que nem vos digo nem vos conto! Sempre a falar da vida alheia. E vêm todas ter comigo. Sou tipo a mediadora de uma tertúlia cor-de-rosa daqui do município de Rio Raposinha.

Comprimentos daqui da terra.

p.s. espero que algum mulo jeitoso leia as minhas crónicas.

2 comentários:

Anónimo disse...

Eu nao sou nenhum mulo jeitoso mas leio as suas cronicas. Tem que me tratar melhor!
Beijiinho

Rabbitt disse...

ieu noi soi mulo mas ainda me acho jeitoiso i como isto e pra jeitoiso leir ieu deivo dizer:
-Tiene paciencia precioisa mula,
pra proixima votai no candidato mais leve!
complimentos e muito sucesso nessa terrioila
assinaido: O Coeilho